(recebido por mail)
Caro(a) Amigo(a),
Antes de mais, queira não me levar a mal esta forma familiar e informal de tratamento, pois não nos conhecemos. Mas permita-me que o(a) possa considerar meu(minha) amigo(a), no caso de ser uma pessoa que ama a poesia.
Se é realmente, um(a) amante de poesia – seja lida, recitada ou cantada – , só lhe peço dois minutos para ler as linhas que se seguem.
O poeta e dramaturgo Federico García Lorca dizia que "os poemas são feitos para serem recitados, porque num livro estão mortos". Convém lembrar que a poesia começou por ser uma arte da oralidade (na Antiguidade, a "Ilíada" e a "Odisseia" faziam parte da tradição oral). Não sei se sabia, mas na rádio pública portuguesa, mais concretamente na Antena 2, há um espaço dedicado à poesia recitada. Intitula-se "Os Sons Férteis" e é da responsabilidade de Paulo Rato que conjuntamente com a actriz Eugénia Bettencourt se encarrega da recitação dos poemas. É transmitido de segunda a sexta-feira, sempre às 11 horas da manhã. Efectivamente, trata-se de um trabalho de excelência que a nossa rádio nos proporciona, mas infelizmente pouco promovido e divulgado. Como sou um grande cultor de poesia – especialmente recitada – achei por bem encetar uma campanha de divulgação desta admirável rubrica, um exemplo paradigmático do melhor serviço público de rádio. Neste momento, o(a) caro(a) amigo(a) estará decerto a interrogar-se quanto ao que motivará este meu voluntarismo. É muito simples: é que no Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL a poesia merece uma atenção muito especial e, como tal, eu enquanto animador do grupo passei a facultar aos seus membros, nem mais nem menos, que os poemas que são ditos em "Os Sons Férteis". Em cada sexta-feira, procedo ao envio dos poemas escolhidos para a semana seguinte. E quem não puder ouvir a rubrica em directo, na Antena 2 – por via hertziana caso resida em Portugal continental, Açores ou Madeira, ou através da emissão online para todo o mundo –, tem sempre a possibilidade de a ouvir acedendo ao arquivo de programas da RDP. Ler um poema e, ao mesmo tempo, ouvi-lo de viva voz pode constituir uma experiência muito enriquecedora. E depois, sempre nos acontece encontrar poemas que, por uma ou outra razão, nos tocam bem no fundo da alma e que gostaríamos de ter sido nós a escrevê-los. Poemas que nem suspeitaríamos que existissem e que por exprimirem tão bem os nossos sentimentos e pensamentos passamos a guardá-los como se fossem tesouros preciosos.
Para receber graciosamente na sua caixa de e-mail os poemas recitados por Paulo Rato e Eugénia Bettencourt, basta tornar-se assinante do Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL, conforme especificado abaixo. Na nossa tertúlia, além dos ouvintes do programa de Rafael Correia, cabem todos quantos comungam de um vital e intenso amor à poesia em língua portuguesa (escrita originalmente em português ou vertida para a língua de Camões por tradutores credenciados).
Se entender por bem aceitar o meu convite, estou certo de que vai gostar da experiência, mas na eventualidade pouco provável disso não acontecer pode sempre abandonar o grupo, a qualquer momento, sem que lhe seja pedida qualquer satisfação.
Atenciosamente,
Álvaro José Ferreira
Animador do grupo Amigos do LUGAR AO SUL
Instruções para assinar o grupo Amigos do LUGAR AO SUL:
Clique em [ Amigos do LUGAR AO SUL]. Aguarde um momento para ligação à página. Agora, no lado esquerdo, abaixo da fotografia, clique em [assine o grupo]. No campo que vai aparecer digite o seu endereço de e-mail e um apelido (facultativo). Clique em [assinar]. Agora será enviado um link para a sua caixa de e-mail.
Volte lá e clique nesse link para confirmação da sua assinatura.
E pronto!...
A partir de agora, faz parte do grupo onde se cultiva a poesia em língua portuguesa (popular e erudita).
Se lhe surgir alguma dificuldade, não hesite em escrever para: < moderadores-lugar-ao-sul@grupos.com.br>.
de Carole Fréchette
Encenação de Vítor Gonçalves
A Companhia de Teatro de Almada estreia no próximo dia 20 de Abril a sua produção de O Colar de Helena, de Carole Fréchette. Esta autora é considerada uma das vozes mais fortes e mais originais da dramaturgia do Quebeque actual, sendo uma das dramaturgas mais representadas do seu país.
O Colar de Helena
Algures no Médio Oriente, numa cidade escaldante e devastada por combates, Helena, uma turista ocidental, apercebe-se de que perdeu o seu pequeno colar de pérolas brancas, falsas. Num arrebatamento um tanto louco, lança-se na procura desse objecto sem valor ao qual tanto quer. Acompanhada por um taxista que a guia num labirinto de escombros, Helena descobrirá as entranhas dessa cidade devastada cujos habitantes opõem ao seu pequeno azar, o seu próprio sofrimento.
Ao espectador é oferecido, no vislumbre da outra face da moeda, um olhar incisivo sobre o contraste entre o conforto que tomamos por adquirido no Ocidente e a precariedade da vida quotidiana no Médio Oriente.
O espectáculo tem a duração de 1h15m sem intervalo.
Informe-se sobre as vantagens do Clube de Amigos do Teatro Municipal de Almada
Teatro Municipal de Almada
De 20 de Abril a 21 de Maio
de Quarta a Sábado às 21h30
Domingos às 16h00
Preço dos bilhetes para grupos 5 €uros
As reservas deverão ser efectuadas para a Companhia de Teatro de Almada
Telfs. 21 275 21 75 ; 21 274 48 56
O Colar de Helena
de Carole Fréchette
Encenação
Vítor Gonçalves
Tradução
Rodrigo Francisco
Com
Teresa Gafeira
Joana Fartaria
Júlio Martin
Miguel Martins
Cenografia e Figurinos
Maria João Silveira Ramos
Luz
José C. Nascimento
Mais do que ver, ajudar a fazer um clube de amigos do TMA
O novo Teatro Municipal de Almada vai ser um centro de criação artística de relevância nacional. Tanto no que respeita à actividade da Companhia de Teatro de Almada como no plano das co-produções e dos espectáculos a acolher o novo edifício e o seu equipamento técnico permitem o desenvolvimento de um projecto ambicioso, marcado pela preocupação com a qualidade e a modernidade, e consciente das suas responsabilidades de serviço público.
O novo Teatro Municipal não se limitará, no entanto, ao âmbito da criação artística. Aspira a constituir um consenso cultural vocacionado para a produção de eventos e acções que possam contribuir para o aumento do conhecimento, sensibilizar para a formação artística e estimular o debate de ideias.
Esta vocação de centro cultural - com o aproveitamento dos espaços de livraria, do café-concerto, da galeria de exposições, do atelier de tempos-livres para os mais pequenos - traduz-se em diversas actividades, ligadas a três linhas principais de atenção: os jovens, os reformados idosos e as comunidades imigrantes.
É no quadro deste programa que o Teatro Municipal de Almada lança a sua primeira iniciativa: a constituição de um Clube de Amigos, que será um núcleo de apoio às actividades do Teatro, ajudando, por um lado, a dinamizar as suas iniciativas, e beneficiando, por outro lado, de condições especiais de assistência aos espectáculos programados.
Não queremos um público que se limite a ver: desejamos um público que ajude a fazer. Estamos certos de que podemos contar com o apoio de todos os que consideram importante a existência de um teatro dinâmico e de qualidade, numa cidade que é um exemplo de progresso cultural e social.
Joaquim Benite
Director do Teatro Municipal de Almada
Othello
William Shakespeare
Encenação de Joaquim Benite
Uma co-produção
Companhia de Teatro de Almada
Companhia de Teatro do Algarve
Teatro da Trindade / Inatel
Transformar o mouro no herói trágico em vez do vilão foi uma das inovações de Shakespeare. No teatro renascentista, os mouros eram quase exclusivamente vilões, incorporando as características das personagens negativas do teatro medieval, como no próprio Tito Andronico que Shakespeare escreveu em 1594. Ao iniciarem-se as trocas comerciais com o Norte de África, os crescentes preconceitos contra os mouros e os muçulmanos levaram à exacerbação do estereótipo. Em 1601 a rainha Isabel lançou um édito que expulsava todos os mouros das ilhas britânicas. Ainda hoje prossegue o debate sobre se Othello subverte as expectativas isabelinas acerca das personagens mouriscas, ou simplesmente adia o reforço do estereótipo para mais tarde, na peça, quando o mesmo Othello cai no ciúme e na loucura.
Há boas razões para esperar que a tragédia de Shakespeare continue a mostrar caminhos aos públicos de hoje, bem como a confrontá-los com os problemas que a peça levanta. Ao longo de 400 anos de representações, o Othello de Shakespeare tem demonstrado uma incrível resistência ao desgaste do tempo. Em cada nova produção, os actores apresentam-nos o texto com uma nova frescura.
Esta é a segunda vez que Joaquim Benite encena a obra, constituindo a actual versão, uma nova leitura do drama de Shakespeare, centrada mais no tema da ambição do que no do ciúme. A encenação valoriza a oposição entre Cássio e Iago, surgindo Othello e Desdémona como vítimas de uma manobra montada para a conquista do poder.
Sobre a recente estreia de Othello, em Faro:
“Clareza é a dimensão mais evidente desta encenação, e também da versão portuguesa de Yvette K. Centeno. Joaquim Benite foi cuidadoso na construção de cada uma das personagens, no discurso de cada uma, na complexidade de um diálogo cujo entendimento só começa a ser possível se correcção, sobriedade e inteligência conduzirem toda a representação.”
João Carneiro, in Jornal Expresso de 3/12/05
“O meticuloso contraste de registos – brilhante no maquiavelismo farsesco do Iago de Luís Vicente – a transparência da locução e a gestão rigorosa de tão contrárias emoções permitem a cada actor uma superior inteligência da teia Shakesperiana, não reduzida aqui a um olhar engajado, mas indexada ao processo dramático que a estrutura: a tortuosa e destrutiva manipulação que o despeito de Iago concebe (veja-se a trabalhada evolução de Othello de Mário Spencer, a expressiva sobriedade da Desdémona de Joana Fartaria ou o malicioso feminismo da Emília de Teresa Gafeira).”
Miguel-Pedro Quadrio, in Diário de Noticias de 11/12/05
Teatro da Trindade
de 1 a 19 Fevereiro
Quarta a Sábado às 21h30 Domingos às 16h00
Tabela de Bilheteira
Os grupos
de mais de 10 pessoas beneficiam
de preços especiais:
7,5 Euros para a
Plateia e 1º Balcão Frente
6 Euros para os
restantes lugares
As reservas deverão ser efectuadas para a Companhia de Teatro
de Almada Telf 21 275 21 75 - 21 274 48 56 - 21 275 65 67 ou
Teatro da Trindade Telf 21 342 59 38 - 21 342 00 00
Othello
William Shakespeare
Encenação
Joaquim Benite
Com
Mário Spencer / Othello
Luís Vicente / Iago
Joana Fartaria / Desdémona
Marques D’Arede / Cássio
Teresa Gafeira / Emília
Francisco Costa
André Gomes
João Jonas
Miguel Martins
Rita Cruz
Cenografia
Jean Guy Lecat
Figurinos
Sónia Benite
Luz
José C. Nascimento
A Companhia de Teatro de Almada e a ACTA - Companhia de Teatro do Algarve estreiam em co-produção, no próximo dia 26 de Novembro, no Teatro Lethes, em Faro, a peça Othello, de William Shakespeare, com encenação de Joaquim Benite e espaço cénico de Jean-Guy Lecat.
Othello, uma das principais tragédias de Shakespeare, onde são abordados os malefícios da ambição e do ciúme, é a 59ª encenação de Joaquim Benite. Esta será também a segunda realização de um cenário de Jean-Guy Lecat em Portugal, depois de O Fazedor de Teatro, de Thomas Bernhard. Para esta produção, a sala do Teatro Lethes sofrerá uma considerável remodelação de modo a conceber um espaço cénico inspirado num palco isabelino.
Mário Spencer e Luís Vicente representam, respectivamente, os papéis de Othello e Iago. Joana Fartaria é Desdémona, Marques D’Arede, Cássio, e Teresa Gafeira, Emília. Participam ainda os actores: Francisco Costa, André Gomes, João Jonas, Miguel Martins, Rita Cruz e João Evaristo. Esta é a segunda vez que Joaquim Benite encena esta obra, constituindo a actual versão, também com tradução de Yvette K. Centeno, uma nova leitura do drama de Shakespeare, centrada mais no tema da ambição do que no do ciúme. A encenação valoriza a oposição entre Cássio e Iago, surgindo Othello e Desdémona como vítimas de uma manobra montada para a conquista do poder.
O espectáculo, em que participam também como co-produtores a Câmara Municipal de Faro, a Faro - Capital Nacional da Cultura 2005, e o Teatro da Trindade/Inatel, estará em cena no Teatro Lethes (Rua de Portugal, Faro) entre 26 de Novembro e 11 de Dezembro, de Quarta a Sábado às 21h30 e Domingos às 16h00. As reservas poderão ser feitas através do telefone 289820300 (Teatro Lethes).
Entre 26 de Janeiro e 12 de Fevereiro de 2006, Othello, que é este ano a 4ª produção da Companhia de Teatro de Almada, será apresentado no Teatro da Trindade/Inatel, em Lisboa.
De Júlio Dinis
Encenação de Vítor Gonçalves
De Quarta a Sábado às 21h30
Domingos às 16h
Teatro Municipal de Almada
A Companhia de Teatro de Almada vai apresentar, no Teatro Municipal de Almada, de 6 de Outubro a 30 de Outubro, de Quarta a Sábado às 21h30 e Domingos às 16h, o espectáculo O Casamento da Condessa, de Júlio Dinis, com encenação de Vítor Gonçalves, cenografia de Joaquim Benite, figurinos de Sónia Benite, luz de José Carlos Nascimento e interpretação de Bruno Martins, Celestino Silva, Francisco Costa, Joana Fartaria, Marques D’Arede e Miguel Martins.
Uma divertida comédia de enganos
Toda a linguagem ao longo da peça é maliciosa e corrente, não suscitando quaisquer dúvidas quanto à sua compreensão. O leitor segue facilmente e com interesse os diálogos e as situações por vezes muito divertidas. Há ritmo na sequência dos acontecimentos e uma surpreendente facilidade na elaboração dos efeitos cómicos.
Liberto Cruz
Júlio Dinis (1839-1871) terá iniciado a sua actividade teatral como actor aos 15 anos, ao desempenhar um papel feminino, numa peça de Licínio de Carvalho, Os Hallas. A peça estreou-se a um sábado, 10 de Março de 1855, no Teatro Camões, a distinta Sociedade Dramático-Portuense. A passagem de actor a autor teatral foi muito rápida. Ao contrário do que sucede com a maioria dos escritores, que só vêm a fazer teatro depois de bem experimentados em outros géneros literários, Júlio Dinis fez os seus primeiros passos escrevendo comédias. Em 1856 escrevia as suas primeiras peças: O Bolo Quente e O Casamento da Condessa.
O Casamento da Condessa
As três primeiras peças de Joaquim Guilherme (Júlio Dinis) foram escritas entre os 17 e os 18 anos, e constituem o que passaremos a designar por «comédias dos verdes anos». Muito novo ainda e apenas saído da adolescência, era de esperar que o novel dramaturgo seguisse os trâmites em voga. Compreendia-se assim que se debruçasse sobre um mundo onde o amor tinha a primazia. Daí que nas suas comédias as peripécias se sucedam, as aventuras amorosas se multipliquem, os galanteadores sejam fogosos, os quiproquós abundantes e os heróis naturalmente desenvoltos.
Vejamos, em primeiro lugar, a peça O Casamento da Condessa, que merece uma especial atenção. Repare-se no nome do protagonista: Júlio.
Haverá alguma relação com a escolha do pseudónimo adoptado logo em seguida ou tratar-se-á de um simples acaso? Qualquer que tenha sido a razão não deixa de ser curiosa a semelhança preexistente entre o nome do seu primeiro herói literário e aquele que virá a usar posteriormente para assinar publicamente as suas obras literárias.
Será uma coincidência ou é resultante de uma determinação pensada e amadurecida?
É preciso frisar que Júlio da Costa, o protagonista desta comédia, pela sua frívola conduta e pelo seu carácter, está muito longe tanto do seu pai espiritual como das personagens mais destacadas dos seus romances.
Júlio da Costa é quase o negativo tanto dos seus futuros companheiros de ficção como do próprio romancista. Audacioso e serviçal, arrogante e dependente, convencido e ingénuo, Júlio da Costa tornar-se-á simultaneamente uma presa fácil de dominar quer pelo próprio pai quer por uma comediante em voga.
Ressalvam-se ainda nesta peça algumas farpas lançadas pelo autor contra um dramaturgo contemporâneo muito apreciado. De forma discreta, Júlio Dinis revela já um espírito crítico e pertinente que deve ser tomado em conta. No momento em que Júlio da Costa deseja voluntariamente declarar o seu amor a Emília, situação em si mesma solene e grave, a jovem evoca a semelhança daquela cena ridícula com uma outra da peça: O Pagem de Aljubarrota, de Mendes Leal.
Esta intrusão do teatro no teatro, trazida por Emília ao evocar uma peça da mesma época, permitirá a Júlio Dinis desmistificar os enredos teatrais então representados no Porto. A actualidade política, as manigâncias familiares, a diferença de costumes entre a capital do reino e as terras de província são alguns dos elementos curiosos de O Casamento da Condessa.
Liberto Cruz
O Preço dos Bilhetes para adultos é de 13 € e de 7 € para jovens até aos 25 anos e reformados maiores de 65 anos. O preço para grupos (mais de 10 pessoas) é de 6 €.
Todas as informações e reservas podem ser feitas através dos telefones 212752175/212756567, para a secção de público da Companhia de Teatro de Almada.
Começa hoje e prolonga-se até ao próximo dia 18 o 22º Festival de Almada, organizado pelo CTA.
O homenageado deste ano é Artur Ramos.
Aqui tem o programa do Festival Almada 2005.
Um novo ciclo
O Festival de Almada, que em 2004 completou vinte anos de existência, ao longo dos quais registou um permanente desenvolvimento, entra, este ano, num novo ciclo. A inauguração do novo Teatro Municipal de Almada, concretização de um velho sonho da Companhia, se, por um lado, constitui um ponto de chegada, representa, também, um novo e estimulante ponto de partida.
Todo o percurso da Companhia de Teatro de Almada está, nesta cidade, intimamente ligado ao apoio da Autarquia. O novo teatro - um edifício que, pelas suas características arquitectónicas, condições de funcionamento e qualidade do equipamento, constitui um importante factor de valorização do tecido nacional de espaços de criação artística e actividade cultural - é o resultado directo da produtiva colaboração entre a Companhia e a Autarquia. E pode, muito bem, neste sentido, ser apontado como um exemplo de como, à margem da burocracia dos diplomas, que criam realidades virtuais sem cuidar das condições práticas da execução das respectivas determinações, uma conjugação tríplice de esforços entre o Governo central, o poder Autárquico e os agentes culturais poderia muito bem, a partir da existência de projectos consolidados de cooperação, alterar substancialmente a circunstância cultural do País.
É da mais elementar justiça lembrar que uma política de novos equipamentos culturais foi lançada, nessa base, pelo Ministério da Cultura do tempo de Manuel Maria Carrilho. Este novo edifício, que honra a cidade de Almada e o País, é a cabal demonstração do muito que se pode fazer, sem esbanjamento de recursos e sem megalomania, quando a cooperação é o método e o meio de projectar o futuro, com ambição, mas, ao mesmo tempo, com lucidez e consistência.
Em todo o processo que levou à realização desta obra, o Festival de Almada, concebido e realizado ao longo de anos pela Câmara Municipal de Almada e pela Companhia de Teatro de Almada, representou, naturalmente, um papel importante. Os equipamentos culturais que nas últimas décadas a Autarquia foi construindo permitiram o desenvolvimento do Festival. No Fórum Romeu Correia, por exemplo, apresentaram-se companhias internacionais célebres, entre as quais a própria Schaübhunne am Lenhiner Platz. Mas faltava, naturalmente, um equipamento que pudesse receber espectáculos que, até aqui, não podiam ser apresentados em Almada.
É, designadamente, por isso que um novo ciclo pode começar agora. Um ciclo em que o Festival, que há anos abrange também Lisboa, pode ter em Almada um novo centro, ao nível dos melhores equipamentos da capital.
Mas não só por isso. O novo Teatro Municipal não é apenas o resultado de um desejo ou de uma legítima ambição. Ele corresponde a uma necessidade intrínseca a um processo de desenvolvimento em que o Festival de Almada ocupa, obviamente, um lugar central.
Por isso, em cada edição - e apesar das crescentes dificuldades orçamentais que nos últimos anos tenho vindo regularmente a denunciar com a esperança remota de vir a ser ouvido - procuramos, mantendo os traços próprios e tradicionais, a renovação e a modernidade.
A presença em Portugal, pela primeira vez, de uma companhia como a do Odéon - Théâtre de l’Europe, dirigida por Georges Lavaudant, inscreve-se nesse esforço. No mesmo plano se incluem os espectáculos de Philippe Genty e Denis Marleau. Trata-se, em todos os casos, de personalidades fundamentais da cena internacional contemporânea, criadores ligados a universos teatrais muito diferentes, que suscitarão, certamente, o interesse do público português.
Um ciclo sobre Jean-Luc Lagarce - um dos nomes fundamentais da dramaturgia moderna - liga-se com a apresentação de vários autores contemporâneos e, como é hábito, de autores clássicos. Novos criadores estrangeiros e portugueses valorizam também esta riquíssima edição de 2005, que contará com quatro estreias absolutas. Como sempre, também, um vasto programa de actos complementares acentuará a vertente de reflexão e de troca de experiências, um dos traços caracterizadores do Festival de Almada - lugar de convívio e de cruzamento de culturas e linguagens.
Espero que o ciclo que agora se abre represente uma nova etapa de desenvolvimento. E que o Festival possa manter-se fiel à sua mais reconhecível vocação: a de crescer, rejuvenescendo.

Joaquim Benite,
Director do Festival
em breve toda a informação
Cartão de apoiante
Mas as dificuldades que as companhias sentem são também as dificuldades daqueles a quem dirigimos prioritariamente o nosso trabalho.
É neste quadro que criámos o Grupo de Apoiantes da Companhia de Teatro de Almada. O Cartão de Apoiante dá ao seu titular o direito de assistir gratuitamente a todos os espectáculos apresentados pela Companhia e ainda o de obter 50% de desconto nos bilhetes das pessoas de que se faça acompanhar. O cartão, válido por um ano, tem o preço de 25 euros. Para os jovens até 25 anos o custo é de 12,5 euros.
A Voz Humana
De Jean Cocteau
Grupo de Teatro “A Baiuca”
”Existem verdades que só podemos dizer depois de ter conquistado o direito de dizê-las.”
As informações e reservas podem ser obtidas através dos telefones 212752175 / 212756567 para a secção de público da Companhia de Teatro de Almada, agradecemos que o façam com a maior brevidade possível, pois as reservas estão condicionadas à lotação do autocarro.
A Dança da Morte
De August Strindberg
Co-produção do Teatro da Rainha e do Teatro dos Aloés
A Companhia de Teatro de Almada, irá receber de dia 18 (4.ª Feira) a 21 de Maio (Sábado), pelas 21h30m e dia 22 de Maio, pelas 16h, uma co-produção do Teatro da Rainha e do Teatro dos Alóes, “A Dança da Morte”.
O espectáculo é do escritor sueco August Strindberg, tem encenação de Fernando Mora Ramos, tradução de Isabel Lopes, cenografia e figurinos de José Carlos Faria, sonoplastia de Francisco Leal, iluminação de António Plácido e interpretação de Isabel Lopes e Victor Santos, do Teatro da Rainha e Elsa Valentim e José Peixoto do Teatro dos Aloés.
A “Dança da Morte” retrata a vida de um velho casal, do capitão Edgar e da sua esposa Alice, e as suas desilusões. Tantas foram estas que cada um deles “esgotou a parte de amor que tinha para oferecer”. “Presos um ao outro, estas duas almas torturadas esperam a morte que os libertará de uma ligação conjugal desacreditada”, escreve a produção.
August Strindberg nasceu em Estocolmo, a 22 de Janeiro de 1849, estudou na Universidade de Uppsala, de onde saiu após um semestre. Por essa altura foi acometido por uma forte depressão, decidindo suicidar-se ingerindo uma pílula de ópio. A sua primeira peça surgiu deste suicídio falhado. Foi um autor muito produtivo, tendo escrito romances, peças, poesia e mais de 7.000 cartas, foi também pintor e jornalista.
A primeira obra de vulto de Strindberg foi "Mestre Olof", escrita em 1877, seguiu-se, "O Quarto Vermelho" (1879), um romance. Em 1886, termina a sua novela biográfica, "O Filho de um Empregado", seguida de "Menina Júlia", sendo esta peça encenada pela primeira vez em 1889. Escreveu também "Em Defesa de um Louco", onde descreve o seu primeiro casamento.
No período em que vagueia pela Europa Central, escreve "Inferno e Lendas", "Para Damasco" (1898) e "Diário Oculto". No Diário, descreve a sua relação com a sua terceira esposa, Harried Bosse, com quem teve um filho. Após o divórcio de Harried resultou, em parte, a sua obra prima expressionista a peça "O Sonho", escrita em 1901.
A "Dança da Morte" foi a sua obra-prima do simbolismo, bem como "Páscoa".
August Strindberg faleceu em Maio de 1912.
As informações e reservas podem ser obtidas através dos telefones 212752175 / 212756567 para a secção de público da Companhia de Teatro de Almada, agradecemos que o façam com a maior brevidade possível, pois as reservas estão condicionadas à lotação do autocarro.
A Companhia de Teatro de Almada vai apresentar, no Teatro Municipal de Almada, de 7 de Abril a 15 de Maio, de quarta a sábado às 21h30 e domingos às 16h, o espectáculo Poder, de Nick Dear, com encenação de Joaquim Benite, tradução de Rui Romão, cenografia e figurinos de Maria João Silveira Ramos, luz de José Carlos Nascimento, colaboração coreográfica de Jean Paul Bucchieri, direcção musical do Maestro Fernando Fontes e interpretação de Bruno Martins, Francisco Costa, Joana Fartaria, Kjersti Kaasa, Marques D’Arede, Rui Neto e Teresa Gafeira.
Poder é um texto que situa a acção na corte de Luís XIV, numa altura em que o Rei ainda bastante jovem e após a morte do Cardeal Mazarino, assume verdadeiramente o poder, consolidando-o, transformando-se no Rei Sol, um dos expoentes mais importantes do Absolutismo Europeu. Este texto reflecte as transformações políticas e económicas ocorridas na França do século XVII, das lutas de bastidores dissimuladas, a intriga palaciana, as conspirações, de um tempo em que a corrupção lavra e a coroa está à beira da bancarrota. É na França do século XVII que Colbert ascende e o superintendente Fouquet cai em desgraça, como noutros tempos com outros protagonistas, como o nosso por exemplo.
Este é pois um texto que reflecte a política e os seus protagonistas, as suas motivações. É também uma pintura social, de outros tempos, de outras condutas sociais, dos tempos da libertinagem. É uma reflexão sobre a moral, a nossa, ou as várias perspectivas que podemos ter sobre ela. Serão os portadores da nova ordem, detentores da virtude e da generosidade inerente ao desenvolvimento saudável da humanidade ou afinal o que os move são outros interesses, ou aliás, o que nos move, a generosidade ou interesses que nem sempre deciframos.
Sobre Poder disse o autor (Nick Dear) em entrevista concedida a Nicola Barranger: “Quis escrever uma peça que tivesse algum debate sério acerca da natureza do poder político, e acerca da psicologia das pessoas que aspiram a ele, pessoas que farão quase tudo para conquistá-lo e agarrarem-se a ele. Mas ao mesmo tempo tentei que o texto não fosse didáctico. Não quis que tivesse qualquer referência à política contemporânea. Tentei escrever um texto divertido. A ideia de um tipo vestido de mulher na Corte de Luís XIV – os textos da época referem-se a ele eufemisticamente como um “notório libertino”, o que na linguagem de hoje seria o equivalente a uma bichona maluca – pareceu-me que poderia ser bastante divertida, e de facto parece-me que funciona."
Nick Dear, um dos dramaturgos de referência da cena britânica, é também autor de guiões para cinema e televisão, peças radiofónicas e libretos de ópera. Foi autor residente do Royal Exchange Theatre, de Manchester, em 1987, e do grupo de teatro da Universidade de Essex, em 1985. Ultimamente tem colaborado mais regularmente com o National Theatre, de Londres. Em 1996 colaborou com Peter Brook em Qui est là?.
O seu repertório dramatúrgico inclui Temptation (1984), The Art of Success (1986; Prémio John Withing), Pure Science (1986), A Family Affair (1988), Food of Love (1988), In the Ruins (1989), The Last Days of D. Juan (1990), Le Bourgeois Gentilhomme Villain’s Opera (2000), The Promise (2002) e Power (2003).
Escreveu ainda os seguintes guiões: Persuasion (1995; Prémio BAFTA), The Gambler (1997; Prémio belga para Melhor Filme Europeu), The Turn of the Screw (1999), Cinderella (2000), Byron (2003), Eroica (2003; Prémio Itália) e Poirot: The Hollow (2004).
Os seus libretos para ópera incluem A Family Affair (1993), Siren Song (1994) e The Palace in the Sky (2000).
A estreia de Poder pela Companhia de Teatro de Almada representa a estreia absoluta de um texto de Nick Dear em Portugal.
Intérpretes
Ana de Áustria - Teresa Gafeira
Filipe de Orleãs - Rui Neto
Luís XIV - Bruno Martins
Nicolas Fouquet - Marques D'Arede
Henriqueta de Inglaterra - Joana Fartaria
Jean-Baptiste Colbert - Francisco Costa
Luísa de La Valliére - Kjersti Kaasa
Direcção de produção - Paulo Mendes
Assistência de produção - Sofia Bravo
Direcção de montagem - Carlos Galvão
Montagem - António Cipriano, Carlos Ramos e Paulo Horta
Execução do guarda-roupa - Catarina Santos, Lurdes Gonçalves e Piedade Antunes
Falcoeiros {a} - José Simões, Paulo Mascarenhas e Rui Fortunato
Contra-regras - Carlos Ramos e Paulo Horta
Promoção - Rodrigo Francisco e Sónia Benite
Público e distribuição - Joana Fernandes, Luís Ramos e Miguel Martins
Administração - Maria Laita
Grafismo - Sónia Benite
Cabeleiras - Miguel Moleno
Penteados - Vítor Hugo
Colaboração coreográfica - Jean Paul Bucchieri
Direcção musical - Maestro Fernando Fontes
Figurinos e cenografia - Maria João Silveira Ramos
Luz - José Carlos Nascimento
Tradução - Rui Romão
Encenação - Joaquim Benite
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{a} Os falcões utilizados nesta produção não sofreram quaisquer maus-tratos e encontram-se registados conforme as normas europeias para a protecção animal.
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de quarta a sábado às 21.30h
domingo às 16.00h
A Purga do Bebé
de Georges Feydeau
Follavoine, um fabricante de loiça, convida para jantar, no seu elegante apartamento, um cliente importante: Chouilloux, presidente da comissão encarregada de decidir da aquisição, por parte do exército francês, de bacios destinados aos soldados. Espera assim conquistar o mercado, uma vez que desenvolveu uma sistema de penicos supostamente inquebráveis.
Mas um acontecimento desagradável vai contrariar os seus planos. A sua mulher, Julie, ainda de rolos na cabeça e roupão, lamenta-se dos caprichos do filho de ambos, Totó, que se recusa terminantemente a tomar um purgante.
A Purga do Bebé deu origem a um filme com o mesmo título, de Jean Renoir. O tema é o da vida conjugal - um dos filões de Feydeau.
Encenação Vítor Gonçalves
Tradução José Martins
Cenografia e Figurinos Maria João Silveira Ramos
Luz J. Carlos Nascimento
Com André Gomes, Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Luís Ramos, Maria Frade, Miguel Martins e Teresa Gafeira
Sala Principal
de 21 de Outubro a 28 de Novembro
de quarta a sábado às 21.30h
domingo às 16.00h
Na próxima terça-feira, dia 6, pelas 12h00, irá decorrer no Teatro S. Luiz, em Lisboa, um encontro com os artistas brasileiros Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, protagonistas do espectáculo Tangos e Tragédias, que será apresentado no âmbito do Festival de Almada no Palco Grande da Escola D. António da Costa, em Almada, dia 10 de Julho, sábado, pelas 22h00, e no Teatro S. Luiz, em Lisboa, nos dias 7, 8 e 9, pelas 23h30.
Tangos e Tragédias foi a produção votada no ano passado pelo público do Festival para ser o Espectáculo de Honra da edição deste ano, pelo que se anseia por mais uma dose de irreverência, música e humor inteligente no mítico Palco Grande da Escola D. António da Costa, em Almada, no dia 10, pelas 22h00, bem como no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, nos dias 7, 8 e 9 de Julho, pelas 23h30.
Estreado em 1984 num pequeno bar da cidade de Porto Alegre, Tangos e Tragédias encontra-se em cena desde aí e já percorreu grande parte do Brasil e da América Latina, apresentando uma vasta carreira pelos festivais internacionais de teatro.
Este tornou-se num espectáculo de culto e as figuras dos actores confundem-se já com as das personagens, ao ponto de existir um site dedicado a Sbórnia, o país imaginário de cujo folclore provêm as canções apresentadas pelos imprevisíveis actores/cantores/músicos.
Esta noite, pelas 22.00, haverá Gente Feliz com Lágrimas no Palco Grande da Escola D. António da Costa, em Almada - quer a tribo imensa do futebol vibre em paroxismos de vitória final, quer se afunde na depressão, em caso de derrota. Com este espectáculo, adaptado do romance homónimo de João de Melo por João Brites, também o encenador e cenógrafo (com uma das suas máquinas cénicas, narrativamente eficaz além de admirável), O Bando inaugura a edição 2004 do festival que, por sua vez, festeja 20 anos, com 42 espectáculos - incluindo ópera, dança e música, nomeadamente pela Orquestra Feminina Andaluza de Tetuã -, produções portuguesas (13) e estrangeiras (11), além de actividades paralelas, em quatro espaços de Almada e cinco de Lisboa, até dia 18.
Quando, numa semana de Julho de 1984, a Companhia de Almada (ex-Grupo de Campolide, rebaptizado em 1978, ao instalar-se na Academia Almadense) fez uma Festa de Teatro ao ar livre, numa estrutura improvisada no Beco dos Tanoeiros, com uma mão-cheia de espectáculos de amadores (e as habitações anexas por «camarins»), encenações dos fundadores da companhia (o ainda director Joaquim Benite e José Martins) e de vários outros, os organizadores (de então e ainda hoje, também Teresa Gafeira, Maria Laita, Alfredo Sobreira, Miguel Martins e Vítor Gonçalves, actual subdirector) não imaginavam ser esse o embrião dum festival internacional, gradualmente equiparado aos congéneres europeus mais prestigiados. O êxito da experiência, porém, fê-la sedimentar em cada vez maior profissionalização e ir de palco em palco: do Pátio do Prior do Crato às imediações do edifício SMAS, da Casa da Cerca à Escola D. António da Costa, a partir de 1992, juntando-se-lhe os entretanto construídos Teatro Municipal e Fórum Romeu Correia. A par da participação internacional, iniciada por grupos universitários, sem cachet. E de um financiamento alargado da autarquia a patrocinadores e ao Estado, com aumento substancial atribuído pelo ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho, decisivo no salto qualitativo da segunda década - o apoio estatal mantém-se, no entanto, inalterável desde 1996.
O caudal de público aumenta cerca de 30 por cento em cada ano, e o de Lisboa, nas últimas edições, nem tem precisado de deslocar-se para alguns dos espectáculos, pois o festival veio tendo extensões ao CCB e ao Trindade, agora prolongáveis aos teatros São Luiz, Taborda e do Bairro Alto/Cornucópia.
Nesta trajectória, recordem-se alguns nomes de referência. De companhias: Piccolo Teatro de Milão, Schaubühne de Berlim ou Teatro Lliure de Barcelona (volta este ano). De encenadores: Peter Brook, Giorgio Strehler (homenagem in memoriam), Lluis Pasqual, Luc Bondy, Albert Boadella (presente de novo), Armand Gatti, Luca Ronconi, Bernard Sobel, Robert Lepage, Benno Besson ou Thomas Ostermeier. De intérpretes: Laura Betti, Ferrucio Soleri, Alla Demidova, Nuria Espert (também regressa), Corin Redgrave, François Chattot, Edward Fox, Steven Berkoff ou Bruno Ganz.
Este ano, o espectáculo de abertura é uma das participações nacionais, ombreando com as oriundas de Espanha, França, Itália, República Checa, Marrocos, Argenti-
na e Brasil. Das portuguesas, destacam-se a companhia anfitriã (O Jogador, segundo Dostoievsky, adaptado e encenado por Vladislav Pazi) e duas estreias (Medo/ Triângulo pelo Útero, direcção de Miguel Moreira, e Dois Irmãos pelos Artistas Unidos com encenação de Silva Melo). Tangos e Tragédias, de Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, pela Caravana Produções, é o tradicional espectáculo de honra.
Elisabete França

Campo Maior é uma vila alentejana, situada perto de Elvas, na fronteira com Badajoz.
Nela se realiza uma das festas populares mais interessantes do país - a Festa das Flores,
também conhecida como Festa do Povo, que leva a Campo Maior milhares de visitantes, portugueses e espanhois. Este ano está prevista na semana que decorre entre 28 de Agosto e 5 de Setembro.
De que se trata?
Trata-se de uma vila inteira com todas as suas ruas profusamente enfeitadas com flores de papel, em composições alegres e coloridas, reproduzindo arcos, mastros, tronos a S. João Baptista (padroeiro da vila), cascatas, lagos, objectos ou cenas rurais e da vida quotidiana do povo de Campo Maior.
Todo o trabalho é feito pela população. Juntam-se os moradores de cada rua, muitas vezes em longos serões a criar flores de papel, nos meses que antecedem o acontecimento.
Estive lá no ano de 1998, o ano da Expo. Sabia que ía a uma festa popular cujo ingrediente principal se centrava no enfeite das ruas com flores de papel.
Mas superou de longe todas as minhas expectativas. As composições de flores eram tão perfeitas, com tanto gosto, imaginação e criatividade, todas as ruas estavam tão bonitas que era difícil ter preferências e escolher uma. Foi um deslumbramento.
A vila estava completamente cheia de visitantes que se cruzavam no passeio pelas ruas e na apreciação das mesmas. E ouvia-se, um pouco por todo o lado, as mais diversas e espontâneas exclamações, saídas da boca de pessoas surpreendidas com tanta beleza. Pessoas que não se conheciam de lado nenhum mas que paravam apenas para exteriorizar e partilharem umas com as outras a sua surpresa e pasmo perante tanta arte e fantasia. Pessoas que repetiam, emocionadas: Oh, mas isto é lindo!... Ah, mas que beleza, que beleza!
Foi um dia cansativo mas valeu a pena. À noite, enquanto descansava com a família nas cadeiras que os habitantes da Vila disponibilizavam para os cansados visitantes, junto à porta aberta das suas casas, ensinaram-nos algumas técnicas de confecção de flores de papel. E quando perguntávamos se não se aborreciam com tantas horas, tanto tempo perdido a fazer flores e enfeitar ruas, respondiam-nos sempre com os olhos a brilhar e um gesto de assentimento convicto: Nunca, temos muito gosto nisto. E toda a gente participa, novos, velhos, homens, mulheres. Temos muito gosto e orgulho nesta nossa Festa das Flores.
Nem seria preciso tal nos dizerem. As ruas enfeitadas falavam por si.

Encontrei no Crónicas da Terra. Já assisti e recomendo. Se andar por aquela zona algarvia a gozar uns dias de férias, dê um saltinho a Cacela Velha.
Entre Vila Real de Santo António e Tavira, junto à Ria Formosa, situa-se, seguramente, a melhor praia do país. De há quatro anos para cá, realiza-se também o festival "Noites da Moura Encantada" que pretende através da música, da dança, da gastronomia, da mostra de artesanato e da organização de um mercado (souk), resgatar a memória do tempo em que esta aldeia se encontrava sob domínio islâmico. O evento realiza-se entre 7 e 11 de Julho. É pena que o site da Câmara Municipal de VR Sto António (a edilidade promotora do festival) ainda não tenha anunciado quais os artistas que estarão presentes este ano. Recorde-se que já por ali passou a tunisina Ghalia Benali, que havia actuado antes no Intercéltico do Porto.
A foto não presta, a máquina não presta, o fotografo não presta, o governo não presta.....mas a música foi maravilhosa.
Mas o que é que esperava, quando se junta a deliciosa voz de Dulce Pontes com a primorosa música de Ennio Morricone?!
Não vale a pena dizer mais nada, pois não conseguiria traduzir em palavras aquilo que ontem aconteceu no Anfiteatro Keil do Amaral, em Lisboa.
Hoje, às 22 horas, no Anfiteatro Keil do Amaral, em Monsanto – Lisboa –
grandioso concerto do Maestro Ennio Morricone e Dulce Pontes com a Roma Sinfonieta Orquestra.
Este evento - "il Maestro" não quer que lhe chamem "espectáculo". «Não é um espectáculo. Faço música. Não somos bailarinos.», esclareceu Ennio Morricone - integra-se no programa das Festas de Lisboa, organizado pela respectiva Câmara Municipal, em resposta a um pedido da organização do Euro2004 para que levasse a cabo um grande acontecimento cultural no decorrer das referidas Festas.
A entrada é livre.
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O programa está dividido em duas partes, abrindo com um punhado de temas instrumentais, entre "Os Intocáveis", "Era Uma Vez Na América" e "Novo Cinema Paraíso", em que Morricone dirige a sua jovem orquestra Roma Sinfonietta. Dulce Pontes chegará depois, para interpretar "Luz prodigiosa" ou "La ballata di Sacco e Vanzetti", mas os temas inéditos do álbum "Focus" estão reservados para a segunda parte, que encerrará com temas de "O Bom, O Mau e o Vilão" e "Por Mais Alguns Dólares" acompanhados pela voz de Dulce Pontes.
A receita obtida até ao momento pelo novo trabalho de Michael Moore, “Fahrenheit 9/11”, é já superior à receita total obtida pelo anterior filme do cineasta, “Bowling for Columbine”, o qual chegou a ser galardoado com um Oscar.
Acusado pelos seus detractores de ser um panfleto anti-George W. Bush, o filme do realizador Michael Moore, “Fahrenheit 9/11”, tem sido um estrondoso sucesso de bilheteira nos Estados Unidos, angariando, em apenas três dias, 17 milhões de Euros.
20 Anos
A edição de 2004 do Festival de Almada, comemorativa do 20º aniversário deste grande encontro anual de teatro, ocorre num contexto difícil. A crise que afecta o País teve, este ano, reflexos graves no orçamento do Festival e só o grande esforço despendido e a imaginação aplicada na procura de novas soluções tornaram possível que a imagem deste acontecimento central do teatro português não sofresse prejuízos irreparáveis.
Com um orçamento que ronda os 95.000 contos (menos 13.000 que em 2001), só o estabelecimento de novas parcerias e a colaboração compreensiva de muitas entidades e participantes permitiram a manutenção do nível de qualidade artística e a diversidade estética que são características deste Festival. Mas há uma reflexão que se impõe e que não evito: o Festival não pode continuar a crescer, como, decerto, se deseja, dadas a sua função e importância, se não se alterarem os parâmetros de avaliação que determinam o seu financiamento, fundamentalmente por parte dos poderes públicos.
Com frequência, aparecem na Imprensa estrangeira referências ao Festival de Almada, que o integram no grupo dos grandes Festivais europeus. Se compararmos o orçamento deste Festival com o de alguns desses outros (que ultrapassam, em vários casos, o milhão de contos, e noutros os dois milhões) compreende-se o que significa pôr de pé todos os anos este evento. Alguns Festivais de teatro na vizinha Espanha, reconhecidamente mais modestos que o de Almada, têm orçamentos que são o dobro e o triplo do nosso.
Compreendem-se as dificuldades do País e compreende-se o País. Mas constitui um sinal de uma política cultural inteligente (e sobretudo quando os meios não abundam) a aposta naquelas estruturas e iniciativas que revelam potencialidades invulgares e que podem (como é o caso) contribuir para o prestígio do País no Estrangeiro e para o desenvolvimento do nosso próprio teatro.
O Festival de Almada atingiu, 20 anos depois da sua fundação, de forma prudente, modesta, mas plena de confiança nas suas possibilidades, um lugar limite, a partir do qual enfrenta um perigoso dilema: ou continua a crescer e a afirmar-se graças a uma evolução orçamental adequada às novas exigências, ou não poderá fugir ao destino de tantas outras iniciativas que, por falta de visão, entram em declínio e, por fim, desaparecem.
Quisemos que os 20 anos do Festival fossem marcados por acontecimentos especiais: a presença de Roger Planchon, encenador, dramaturgo, actor, ensaísta, pela primeira vez em Portugal, é um momento alto da programação. Planchon, fundador e director durante décadas do Théâtre National de Villeurbanne, influenciou decisivamente gerações sucessivas de homens de teatro em Portugal. Os seus espectáculos e os seus textos constituíram marcos da nossa modernidade. A sua presença entre nós é, por si só, um grande acontecimento cultural.
A Exposição colectiva, organizada com a colaboração da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, dos artistas plásticos que durante 10 anos conceberam, a convite, os cartazes do Festival (e a quem agradecemos a disponibilidade manifestada) é outra forma original e riquíssima de assinalar estes 20 anos, assim como a exposição dos trabalhos de um dos maiores cenógrafos de sempre do teatro mundial, o checo Joseph Svoboda.
Integram-se também nestas comemorações os ciclos sobre o novo teatro italiano e sobre as teatralidades do Mediterrâneo, organizadas em colaboração com os Artistas Unidos e o IITM, com a presença de ilustres participantes.
Quanto ao mais, oferecemo-vos uma programação rica de acontecimentos, abarcando o teatro, a música, a dança e a ópera, com a presença de grandes figuras do teatro e, como sempre, com a preocupação de cruzar estéticas e experiências, de modo a reflectir a prática multímoda do teatro da nossa época.
Também pode ler aqui o Jornal do XXI Festival de Almada
A temperatura sobe onde a liberdade queima.
Este é o mote para o documentário Fahrenheit 9/11
Um cheirinho para abrir o apetite.
Agradecimentos ao Golfinho.
...para descontrair.
Caetano Veloso tem aquele toque especial, mas assim até parece que adquire mais cor.
Utilizando como fonte um texto assinado por Carlos Bica, continuação do resumo biográfico da vida de Manuel Cabanas.
O artista / o Museu Municipal
A partir de 1938, Manuel Cabanas deu início a uma intensa actividade artística no campo da gravura em madeira, encetando uma ruptura abrupta com as técnicas tradicionais de gravação.
Mestre de si mesmo, Manuel Cabanas produziu um gigantesco e valioso património para o seu país, ainda que talvez não tão divulgado como merece.
Chegado aos 70 anos, sem filhos e não desejando que a sua colecção se dispersasse, resolve legar, com sua mulher, por escritura pública de doação, à sua terra natal, o seu espólio artístico, com a condição expressa de com ele ser criado um museu onde estivesse permanentemente patente ao público e ao serviço da comunidade. A sua vontade foi cumprida e o Museu Municipal de Vila Real de Stº António é uma realidade – cuja visita aconselho – desde Abril de 1974.
«Um dia, levado pela minha curiosidade, debrucei-me sobre uma mesa e dispus-me a trabalhar. Quando levantei a cabeça, vi que estava velho. Compreendo que a minha missão terminou. Não quero que aquilo que tanto amei em vida fique disperso. Não ofereço nada ao povo. Devolvo-lhe aquilo a que tem direito: a minha arte. Foi ele exclusivamente que a alimentou. E se esta arte é, como sei, humilde, nem por isso representa menos para mim, porque foi o melhor que eu pude fazer, porque é toda a minha vida.»
As palavras são de Manuel Cabanas, na inauguração do Museu, a 7 de Abril de 1974
Uma vida inteira a lutar pelos mais desfavorecidos e pobres
São de Manuel Cabanas estas palavras, aos oitenta anos: «Estive sempre ao serviço da colectividade, nomeadamente a favor dos humilhados e ofendidos, dos mais humildes – em especial dos mais pobres – daqueles que mais eu via sofrer. Sabia apenas que tinha uma missão a cumprir junto do meu semelhante. Desde muito jovem que entendo que o homem moderno não pertence a si mesmo. Tem de se dar aos outros. Este dar significa ajudá-los, a contribuir para dias melhores, a partilhar um pouco a sua felicidade».
Utilizando como fonte um texto assinado por Carlos Bica e uma foto de António Moreira tirada em Vila Nova de Cacela, um resumo biográfico da vida de Manuel Cabanas.
Ferroviário e sindicalista
Filho de modestos proprietários agrícolas, também naturais de V. N. de Cacela, Manuel Cabanas fez a instrução primária e dedicou-se aos trabalhos do campo como forma de ganhar o pão do dia-a-dia.
Em 1920 arranjou emprego como factor nos Caminhos de Ferro. Dois anos depois fixou residência no Barreiro, continuando ligando à CP. Aí desenvolveu cargos e funções no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste, uma das maiores forças sindicais e políticas do país, mobilizando a classe para a defesa dos seus direitos, nomeadamente, o que na altura era considerado um delito subversivo pelo fascismo, a inscrição das classes trabalhadoras nos cadernos eleitorais, a fim de cumprirem o direito cívico do voto.
Em 1927, por ocasião da Revolução de 7 Fevereiro, por fazer parte da Comissão Revolucionária local, é preso pela primeira vez.
Actividade social
Convivendo de perto com a penúria, o sofrimento e a repressão que assolou o país durante o regime fascista, Manuel Cabanas envolve-se na realização de obras inadiáveis de melhoramento social da classe dos trabalhadores.
A destacar:
De 1924 a 1930, Mestre Cabanas faz parte da direcção do Asilo D. Pedro V, no Barreiro, uma instituição muito pobre, onde consegue melhorias notáveis no equipamento e nos serviços.
Durante dezoito anos desenvolve grande actividade em prol da Comissão Nacional de Assistência aos Tuberculosos, que lhe valeu nova prisão.
Actividade cultural
Em 1941 faz parte de direcção do Clube 22 de Novembro do Barreiro, onde é desenvolvida intensa actividade cultural, a destacar: criação de um curso de desenho artístico para trabalhadores, com aulas nocturnas, donde saíram diversos artistas locais, e que acabou encerrado por ordem do Governo Civil de Setúbal. Criado um quinteto de música de câmara, com músicos todos barreirrenses, o qual dava mensalmente um concerto denominado “Tarde Cultural”, normalmente precedido de palestras por diversas individualidades conhecedoras de música e dos autores a serem interpretados.
Mestre Cabanas teve importante acção como dinamizador e interveniente em diversas tertúlias artísticas e intelectuais. Isto numa terra, Barreiro, fortemente vigiada e militarizada pelo regime, que impunha, a partir de certa hora da noite, uma espécie de recolher obrigatório, não permitindo ás pessoas quaisquer tipo de reuniões nem encontros onde trocassem ideias.
Ameaçado e perseguido, Manuel Cabanas teve cortado o seu direito à obtenção de passaporte para o estrangeiro.
Actividade política regional
Manuel Cabanas teve um papel preponderante na Oposição ao regime, no Barreiro. Por um lado, organizando e intervindo em diversas sessões públicas de esclarecimento, por outro, como testemunha de presos políticos, tendo ido muitas dezenas de vezes depor ao Tribunal.
As retaliações do poder político foram fortes sobre Manuel Cabanas. Perseguido, vítima de interrogatórios e investigações por parte da PIDE, preso por diversas vezes, essas retaliações acabaram, naturalmente, por se reflectir, de uma forma muito negativa, na sua vida privada.
Por um lado, no campo profissional, ao serviço da CP, foi coagido a manter-se vinte e três anos na mesma categoria profissional, quando, por norma, deveria ser promovido de quatro em quatro anos, e acabou vítima de reforma compulsiva, com um montante pecuniário muito inferior ao devido.
Por outro, a perseguição desencadeada pelo regime estendia-se ao seu próprio circulo de convívio. Saído de prolongados períodos de reclusão forçada, Manuel Cabanas, ao entrar, por exemplo, no café que habitualmente frequentava, muitas vezes sentiu o peso do silêncio e do temor que a sua presença despertava no ambiente. E, ao sentar-se à mesa, algumas vezes também viu homens cabisbaixos levantarem-se das suas cadeiras e saírem silenciosamente com receio das represálias da polícia política.
O docente
Em 1964, Manuel Cabanas é convidado pelo director da Escola Industrial e Comercial Alfredo Silva para docente daquela escola. Mas, em 1968, numa das últimas reuniões do Conselho de Ministros presidia por Salazar, é demitido das suas funções de docente, ao abrigo do decreto 25317, de 13 de Maio de 1935, como indesejável e “contrário aos altos interesses do Estado”.
«Sou um homem do povo e com o povo me identifico». Assim se definiu Mestre Cabanas.
Foi preso diversas vezes pelas repressivas forças policiais do regime salazarista. Foi perseguido, humilhado e injustiçado como cidadão e como trabalhador ferroviário. Mas nunca vergou nem desistiu de lutar pelas liberdades democráticas, pelos direitos cívicos e contra as injustiças que marginalizam os mais desfavorecidos da sociedade. Desenvolveu uma importante actividade como dinamizador cultural, em especial no Barreiro, onde viveu muitos anos. Foi também um artista, com uma notável e inovadora obra no campo do desenho e da gravura em madeira.
No final da vida, por escritura pública de doação, legou o seu património artístico à comunidade, criando o Museu Municipal de Vila Real de Stº António, que tem o seu nome.
Chama-se Manuel Cabanas, era conhecido e tratado por Mestre Cabanas. Nasceu a 11 de Fevereiro de 1902, em Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Stº António e faleceu há nove anos, a 25 de Maio de 1995.
Dele disse Raul Rego, caracterizando este homem «esgalgado, enxuto de carnes, passada larga, todo ele esqueleto e olhos», também fundador do PS:
«Onde estiver, o Manuel Cabanas fala, diz o que pensa, quem é e ao que aspira. Não há açaimo que o possa calar e rompe os ambientes mais densos. Como se força anímica tivesse de vir à superfície, exprimir-se, comunicar, aferir os seus sentimentos pelos dos outros, dar a sua solidariedade a quem dela precisa.»
O Jogador
De Fiodor Dostoiewsky
Sala Principal
de 19 de Maio a 27 de Junho
Dostoiewsky não escreveu peças de teatro, mas a maioria dos seus romances são bastante cénicos e já foram adaptados para o teatro na Rússia e em vários palcos da Europa Ocidental. O Jogador é o mais pequeno e apaixonado dos romances de Dostoiewski, para além de apresentar características que permitem uma adaptação singularmente eficaz ao teatro.
A nossa produção usará oito personagens principais. As relações entre estas personagens são agudas, complexas e envolventes, apresentando diferentes combinações e conflitos de interesse. A acção desenrola-se numa estância de férias localizada na cidade alemã de Ruletenburg e gira em torno do casino.
Encenação Vladislav Pazi
Tradução Natália Vakhmistrova
Cenografia Malgorzata Zak
Luz José Carlos Nascimento
Figurinos Malgorzata Zak
Com Alfredo Sobreira, Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Karas, Luís Ramos, Marques D'Arede, Miguel Martins, São José Correia e Teresa Gafeira
de quarta a sábado às 21.30h
domingo às 16.00h
Dando seguimento a uma sugestão do André aqui fica uma imagem da genialidade de Joan Miró

Joan Miró - Catalan Landscape - The Hunter, 1923-24
Passe o “rato” no nariz do rapaz e espere para um pouco para ver a sua reacção!!!
(Consta que esta obra ganhou o prémio Phillips de Arte Digital)
Almada Negreiros faria hoje 111 anos, se fosse vivo.
Nasceu em São Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893 e morreu em Lisboa a 15 de Junho de 1970. Órfão de mãe aos três anos, entra com sete anos como aluno interno no Colégio dos Jesuítas, em Campolide.
Autor prolífico e multifacetado, a obra de Almada é muito vasta e variada.
Em 1913 publica o primeiro desenho n’ A Sátira - é necessário agitar a mentalidade artística portuguesa. No mesmo ano faz a primeira exposição individual. São cerca de 90 desenhos.
Almada Negreiros participa no lançamento da revista ORPHEU em 1915, que sofre fortes criticas de Júlio Dantas. Em Outubro desse ano estreia-se a peça Soror Mariana, cujo autor é Júlio Dantas. Almada reage e lança o Manifesto Anti-Dantas:
"... Basta PUM Basta!
Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! PIM!
E assina: Poeta d' orpheu, futurista e tudo.
O Manifesto causa impacto nos meios artísticos. Afinal há alguém que ousa contestar a cultura instituída, alguém que ousa criticar a sociedade e o país.
Almada pintou murais em Madrid. Em Paris, onde também viveu, teve de trabalhar como dançarino de salão, bailarino numa boate e empregado de fábrica, para sobreviver.
O café A Brasileira ponto de encontro de artistas, possuía um espaço que destinava aos quadros de artistas. Em 1925 são expostos dois painéis de Almada. Num deles o Auto-retrato, entre amigos. Almada também é pintor...
Almada também colabora em várias publicações espanholas, Crónica, La Farsa entre outras. Escreve El Uno, tragédia de la Unidad - obra composta de duas peças que dedica à pintora Sarah Afonso, com quem virá a casar.
Almada Negreiros pinta os painéis das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha. Continua sem parar. Nunca abandona a multiplicidade. Conferências, cartazes, poesia, painéis, vitrais, selos.
Em 1938 conclui os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Almada é encarregado de fazer os vitrais para o Pavilhão da Colonização da exposição d' O Mundo Português. Da sua autoria são também os cartazes Duplo Centenário e Festas do Duplo Centenário.
Em 1954, pinta o retrato de Fernando Pessoa.
Almada com 75 anos ainda executa o painel Começar para o átrio da Fundação Calouste Gulbenkian e os frescos para a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.
Em Junho dá entrada no Hospital de S. Luís dos Franceses. No dia 15 morre, no mesmo quarto onde morrera Fernando Pessoa.
Em tempos Almada respondera a alguém:
As pessoas que eu mais admiro são aquelas que nunca acabam.
"1. Existe um Deus que é o conjunto de tudo quanto apercebemos no Universo. Tudo o que existe contém Deus, Deus contém tudo o que existe. Pode-se, sem blasfémia, considerar, falar não de Deus mas apenas do Universo, com Espírito e Matéria, formando um todo indissolúvel. A doutrina de Deus, tal como a pôs Cristo, permite considerar todas as religiões como boas, embora em graus diferentes, todos os homens como religiosos. Não poderá, portanto, fazer-se em nome de Deus qualquer perseguição: todo o homem é livre para examinar e escolher; a maior ou menor capacidade de exame e o resultado da escolha serão, em qualquer caso, a expressão do que ele é e do máximo a que pode chegar segundo as suas capacidades.
2. A visão mais alta que podemos ter com Deus, nós que somos apenas uma parte do Universo, é uma visão de Inteligência e de Amor; os pecados fundamentais que o homem poderá cometer são as limitações da Inteligência ou do Amor: toda a doutrina estreita, sem tolerância e sem compreensão da variedade do mundo, toda a ignorância voluntária, todo o impedimento posto ao progresso intelectual da humanidade, toda a violência, todo o ódio, limitam o nosso espírito e o dos outros, impedem que sintamos a grandeza, a universalidade de Deus.
3. Deus não exige de nós nenhum culto; prestamos a nossa homenagem a Deus, entramos em contacto pleno com o Universo, quando desenvolvemos a nossa inteligência e o nosso Amor: um laboratório, uma biblioteca são templos de Deus; uma escola é um templo de Deus, e o mais belo de todos. Todos podemos ser sacerdotes, porque todos temos capacidades de Inteligência e de Amor; e praticamos o mais elevado dos cultos a Deus quando propagamos a cultura, o que significa o derrubamento de todas as barreiras que se opõem ao Espírito. Estão ainda longe de Deus, de uma visão ampla de Deus os que fazem consistir o seu culto em palavras e ritos; mas dos que subirem mais alto não pode haver outra atitude senão a de os ajudar a transpor o longo caminho que ainda têm adiante. Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor, procurará levá-lo ao nível mais alto.
4. Para que possa compreender Deus, para que possa, melhorando-se, melhorar também os outros, o homem precisa de ser livre; as liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização, social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito critico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio; ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura que a sua cultura se for alargando; para um bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte das preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de exploração e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.”
Agostinho da Silva - Excerto de “A Doutrina Cristã”
Está “quarentona” mas continua jovem e fresca, a Mafaldinha que encantou – e, ao que parece, continua a encantar – tanta gente.
Para assinalar o aniversário e homenagear o papá Quino, criador da Mafalda, está patente, em Salamanca, uma exposição que inclui 200 reproduções de desenhos da Mafalda.
De nome próprio Joaquín Salvador Lavado, nascido na Argentina e, mais tarde, nacionalizado espanhol, conhecido como «Quino», explica o sucesso da Mafalda, traduzida em trinta línguas, por ter apostado em “fazer um humor político que se pudesse ler dez anos mais tarde e ainda fosse compreensível”, traduzido em “temas comuns às sociedades da América Latina, da Europa ou, inclusivamente, da China ou da Coreia”.
Diz Quino: “desde que Mafalda começou a ser publicada, a humanidade tem mais tecnologias mas os problemas continuam a ser os mesmos, ontem como hoje”.
Pela irreverência das perguntas e comentários da Mafalda – com a subjacente crítica social e política – a censura proibiu diversas tiras nalguns países, como a Argentina, Bolívia e Chile de Pinochet.
Domingos António, de 26 anos, estudou piano durante dez anos no Conservatório de Tchaikovsky, em Moscovo, onde obteve a classificação máxima e conquistou três primeiros prémios. Ensaiava sem piano, tocando com os dedos numa mesa.
Domingos António já surpreendeu vários entendidos em música com seu talento e muitos acreditam que pode vir a tornar-se um dos mais brilhantes pianistas europeus.
O génio do piano apresenta-se hoje em Cascais.
São talentos como este que o país precisa, quanto mais não seja para levantar....a moral.
Os cinco posts anteriores mostram magnificas gravuras de Mauritus Cornelis Escher.
Agora proponho que admirem estas cinco fabulosas interpretações de trabalhos de Escher em Lego.
Passar às três dimensões o que Escher esquematizou a duas, demonstra a verosimilitude do trabalho de Escher por um lado e por outro a capacidade de A. Lipson e Daniel Shiu na construção de modelos a partir de simples imagens planas.
Relativity, Belvedere, Ascending and Descending, Waterfall e Balcony são os prodigiosos trabalhos em Lego destes dois sujeitos.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1945
Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1961
A água de uma cascata põe em movimento a roda de um moinho e corre depois para baixo, numa calha inclinada entre duas torres, em ziguezague, até ao ponto em que a queda de água de novo começa. Ambas as torres são da mesma altura, mas a da direita está, contudo, um andar mais baixo do que a da esquerda.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1960
Um pátio interior é circundado por um edifício cujo telhado consiste numa escadaria onde tanto se pode subir como descer, sem que no entanto se consiga chegar nem acima nem abaixo.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1958
O rapaz que está sentado no banco tem em suas mãos um objecto com a forma de cubo que, visto de cima, representa uma realidade diferente da de quando visto por baixo. Ele observa pensativamente o objecto impossível e não parece aperceber-se de que o belvedere, atrás das suas costas, é construído desta forma. No piso inferior, no interior da casa, está encostada uma escada pela qual sobem duas pessoas. Mas chegadas a um piso acima, estão de novo ao ar livre e têm de voltar a entrar no edifício.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1953

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1943
Quase toda a metade superior da estampa é a imagem reflectida da metade inferior. A escada superior, onde um bicho-rolapé desce da esquerda para a direita, reflecte-se duas vezes: no meio e no lado inferior. Na escada, no canto superior direito, neutraliza-se a oposição entre subida e descida: duas fileiras de bichos avançam lado a lado; contudo, uma sobe, enquanto a outra desce.

Mauritus Cornelis Escher
Xilogravura de 1938
Se nos fixarmos no losango branco central a baixo, automaticamente somos levados até ao céu, e o que de início era uma simples figura geométrica rapidamente se transforma num pássaro. Os pássaros brancos voam para a direita em direcção à noite que recobre uma pequena aldeia holandesa à beira de um rio. Os pássaros negros, por sua vez, sobrevoam uma imagem iluminada pelo sol, que é exactamente a imagem reflectida da paisagem nocturna.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1955
Três casas estão colocadas perto umas das outra. A da esquerda vê-se de fora, a da direita de dentro e a do centro vê-se facultativamente de dentro ou de fora. Em baixo à esquerda, um homem sobe uma escada para uma plataforma. Perto do homem adormecido encontrará uma bacia em forma de concha. Do lado direito alguém sobe uma outra escada, mas então, o que visto da esquerda parecia uma escada, torna-se agora no lado interior de uma abóbada, e a plataforma que era chão firme transforma-se em tecto.
Os três filmes originais da saga Guerra nas Estrelas serão lançados pela primeira vez em DVD em setembro, segundo anúncio da produtora Lucasfilm.
Guerra nas Estrelas, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi farão parte de uma caixa com quatro discos, que também vai incluir cenas não exibidas, além de uma melhor qualidade de som e imagem.
Jim Ward, produtor executivo da Lucasfilm, afirmou esperar que o tão esperado DVD seja "tão marcante quanto assistir à trilogia pela primeira vez".
O lançamento inicial será nos Estados Unidos e no Canadá, mas outros países terão o produto "pouco depois", segundo a produtora.
A obra "O vento assobiando nas gruas", de Lídia Jorge, venceu quarta-feira o I Prémio Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa, atribuído este ano pela primeira vez e destinado a obras em português ou espanhol.
A obra de Lídia Jorge recolheu três votos do júri, contra dois votos para a obra "No interior da tua ausência", de Baptista-Bastos. À finalíssima chegou também "A Taberna da Índia", escrito pelo mexicano António Sarábia.
A este prémio, no valor de dez mil Euros, concorreram 79 obras, de que foram consideradas finalistas nove, pelo júri constituído por Isabel Pires de Lima, Vergílio Alberto Vieira, Artur Queirós, José Viale Moutinho e Carlos Reis.
Lídia Jorge disse à agência Lusa estar emocionada "por ser a primeira de uma lista de premiados, o que é uma espécie de responsabilidade".
Parabéns Lídia Jorge!
Nove minutos espectaculares de arte com areia.
Imaginação e técnica ao mais alto nível.
Nota - ligar o som
Thomas Bernhard
O FAZEDOR DE TEATRO
encenação de Joaquim Benite
Sala Principal
de 29 de Janeiro a 14 de Março
O que os actores representam é sempre representado de forma errada. É, portanto mentira, meu caro senhor, e justamente por isso é teatro. O que se representa é mentira e nós adoramos a mentira representada. Foi assim que escrevi a minha comédia, fingindo. Assim a representamos, fingindo. Assim ela é recebida, fingindo. O escritor é fingido, o intérprete é fingido, e os espectadores também são fingidos e tudo junto é um único absurdo, já para não dizer que se trata de uma perversidade que já tem milhares de anos. O teatro é uma perversidade com milhares de anos pela qual a humanidade é doida, e é tão doida por ela porque é doida pela sua mentira e o seu fingimento e em parte nenhuma desta humanidade o fingimento é maior e mais fascinante que no teatro. (Fala de Bruscon, em O Fazedor de Teatro.) Thomas Bernhard (1931-1989), novelista, poeta e dramaturgo austríaco entra pela primeira vez no repertório da Companhia de Teatro de Almada. A obra de Bernhard é uma das mais importantes do século XX. A estreia de O Fazedor de Teatro (Der Theatermacher) em 1985, em Viena, causou um enorme escândalo. O ministro das finanças de então, e futuro chanceler, declarou que "tiradas contra a Áustria como as que aparecem em O Fazedor de Teatro não podem continuar a ser toleradas". O Fazedor de Teatro tem como protagonista um velho actor do Teatro Nacional em digressão pela província. As reflexões que vai fazendo sobre a sua arte e a sua carreira visam muito mais do que o teatro: a política, a História, a vida de cada um de nós.
Actores
Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Maria Frade, Miguel Martins, Morais e Castro, Teresa Gafeira
Tradução
José Palma Caetano
Cenografia
Jean-Guy Lecat
de quarta a sábado às 21.30h
domingos às 16.00h
Quem escreveu isto, ao certo, não sei.
Mas acho bonito. A musica, as imagens.
Quanto ao texto, subscrevo.
(com som)
Thomas Bernhard
O FAZEDOR DE TEATRO
encenação de Joaquim Benite
Actores: Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Maria Frade, Miguel Martins, Morais e Castro, Teresa Gafeira
Tradução: José Palma Caetano
Cenografia: Jean-Guy Lecat

Sala Principal de 18 a 28 de Dezembro
de quinta a sábado às 21.30h ; domingos às 16.00h
Debate-se a cultura, nos píncaros das doutas alvuras,
espasmos de vertigens e tonturas!
retórica aluvial,
feita de palavras atoladas no lamaçal!
olor bafiento exalado pela nação,
inspira-se atavismo, expira-se ostentação!
somos como somos, graças a não sermos,
de forma a continuarmos a ganir pelos ermos!
ecos de ideias degeneradas,
velório de histórias adulteradas!
Magnifico poema publicado por Rodrigo Ribeiro.
A pedido de uma amiga minha, com os meus renovados agradecimentos ao morfeu – ao José Régio já agradeci na intimidade dos meus pensamentos – aqui fica, bem à vista:
Cântico Negro
- Poemas de Deus e do Diabo - José Régio
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
Noticia-se que «Good Bye, Lénine», do realizador alemão Wolfgang Becker, foi considerado o Melhor Filme Europeu de 2003, na 6ª edição dos prémios da academia europeia de cinema, sábado à noite, em Berlim.
É a primeira vez que um filme alemão é distinguido como Melhor Filme Europeu desde que este prémio é atribuído (1988).
As propostas do Campo de Afectos para Dezembro e Janeiro.
Debates, leituras, oficina, concertos, teatro, cinema e muito mais.
Mais informações aqui.
Não esquecer que começa já hoje, dia 6.
Nascimento do actor, realizador, argumentista e escritor norte-americano Woody Allen.
De origem judaica, é autor de filmes como "Annie Hall" (1977) e "Hannah and her Sisters" (1986) que marcaram a carreira deste norte-americano.
O Leonel vai, a partir do próximo domingo, dar um contributo para a compreensão de algo que, de alguma forma, marcou este ano:
2003 – O ano dos “Blogues”
Habituados às contribuições do Leonel no campo da história, este, como ele diz, pequeno "subsídio" para a "história da blogosfera", decerto ajudará a explicar o impacto e as consequências que a blogosfera teve este ano em Portugal.
Quinze companhias teatrais, dez das quais estrangeiras, participam a partir de hoje, em Tondela, na nona edição do FINTA - Festival Internacional de Teatro ACERT.
De acordo com a organização do evento, apesar dos problemas financeiros, a companhia Trigo Limpo Teatro ACERT "teima em fazer prosseguir, cada vez com mais força, um acontecimento que o público reclama e que se mostra indispensável na afirmação cultural, com identidade, do interior do país".
A companhia vai reunir até à próxima segunda-feira no palco do Novo Ciclo, em Tondela, 15 companhias teatrais, que representam sete países e apresentarão 21 espectáculos em quatro diferentes espaços do Novo Ciclo ACERT.
O festival arranca hoje de manhã com "Joana está na lua", um espectáculo do Lua Cheia Teatro destinado ao público escolar. À noite, sobe a palco "A terra de ninguém", do Teatr smego Dnia (Polónia) e "Vai onde os pés te levam", da mímica Laura Kibel (Itália).
O humor está também presente na programação, nomeadamente com "Star Trip" e "Splash!", do grupo Yllana (Espanha), e "Festival no Festival", da Orkestra Zbylenka (Itália).
Entre as novidades internacionais estão a ópera "A Festa do Imperador", do Teatro Karromato e a última criação dos angolanos do Elinga Teatro: "Levanta-te, Albert!".
A produção teatral nacional também não faltará à nona edição do FINTA, destacando-se "Hamlets", de Diogo Infante e Marco d'Almeida, a música de Luís Pedro dos Belle Chase Hotel em "Isto é que foi ser" e o espectáculo "Photo Má Tom" que a companhia da casa, Trigo Limpo Teatro ACERT, apresentará todos os dias.
Paralelamente, haverá exposições e gastronomia regional, num conjunto que projecta a cidade de Tondela "nos destinos teatrais do público que, ano a ano, ultrapassa o universo regional", refere a organização.
A companhia Trigo Limpo Teatro ACERT tem cinco produções em itinerância e 160 apresentações realizadas de Norte a Sul do país e no estrangeiro.
(Texto da autoria de Joaquim Benite, director da Compahia de Teatro de Almada)
1. No ano de 2003 coincidem duas efemérides significativas para a vida da Companhia de Teatro de Almada: os 25 anos de actividade da Companhia nesta cidade e os 15 anos de existência do Teatro Municipal. Quando, em Agosto de 1978, o então Grupo de Campolide estreou a sua primeira produção em Almada (Aventuras de Till Eulenspiegel, de Virgílio Martinho) poucos terão imaginado que a aventura então iniciada iria desenvolver-se durante um quarto de século, fortalecer-se na sua relação com a comunidade, vencer os inúmeros obstáculos e dificuldades inerentes à concretização de um projecto ambicioso de acção cultural, e impor-se como uma realidade hoje reconhecida por todos e como uma necessidade da vida colectiva local.
Em 1984 (segunda data chave na História da Companhia de Teatro de Almada) é criado o Festival de Teatro, que em 2003 atinge a sua 201 edição. A inauguração, em Maio de 1988, do Teatro Municipal (com Dona Rosita, a Solteira, de Lorca) constitui o terceiro marco decisivo desta caminhada. Ao longo destes quinze anos, o pequeno Teatro Municipal foi um espaço de criação, de formação e de convívio cultural e social, e um instrumento privilegiado na dinamização de sectores e na colaboração com um conjunto de entidades que abrange autarquias, escolas, colectividades, grupos de teatro, etc. Foi também uma sala de visitas da cidade, contribuindo para o prestígio cultural de que Almada desfruta no País e além-fronteiras. Além de constituir o local de criação e de trabalho permanente da Companhia, o Teatro Municipal acolheu numerosas produções de outros grupos, em grande percentagem grupos de jovens, que beneficiaram, por períodos, do apoio e da colaboração das estruturas da Companhia.
Apesar da sua exiguidade, o Teatro Municipal de Almada albergou grandes projectos e foi, muito mais do que um espaço físico, um lugar cultural. A sua actividade serviu de padrão e de referência aos diversos grupos de teatro que hoje dinamizam a cidade (e que, em alguns casos, tiveram aqui a sua génese). Tal como os homens os teatros não se medem aos palmos.
Todo o trabalho desenvolvido nos últimos quinze anos e os diferentes saltos qualitativos da Companhia não teriam sido possíveis sem o apoio da Câmara Municipal de Almada. Quando o Município decidiu criar o seu próprio teatro público e entregá-lo à gestão da Companhia foi dado o primeiro passo para uma exemplar colaboração que se encontra, hoje, numa fase exaltante de novos desenvolvimentos.
Brevemente a cidade contará com um novo, belo, moderno e bem equipado Teatro Municipal, que será o orgulho dos almadenses e o testemunho da vitalidade cultural e cívica da nova Almada. Mas o pequeno Teatro Municipal, com a sua história, o importante significado do seu papel, e o invulgarmente acolhedor espaço de criação e convívio que representa, continuará a sua vida de teatro, com novas funções e novas responsabilidades. Aqui ficarão gravadas nas paredes, nos palcos, nos recantos das diversas instalações, quinze anos de criações, de ideias, de sacrifícios e lutas, de colaborações generosas, de grandes alegrias - e algumas tristezas. Espero que esta seja sempre a casa de Virgílio Martinho e António Assunção, que não puderam chegar ao momento presente masque sonharam e trabalharam para que ele fosse possível. Espero que continue a ser, também, a minha casa e a daqueles que, há tantos anos, me acompanham nesta aventura.
2. A programação que vos propomos para 2003 é, penso, adequada a um momento de balanço e transição. Na sala principal, três novas criações de três grandes autores do teatro universal: Adamov, Aristófanes, e Bernhard. Dois autores contemporâneos cuja obra marcou a segunda metade do século XX e um clássico da comédia antiga. Paolo Paoli, de Adamov, encerra a trilogia sobre os negócios que incluiu já Mãe Coragem, de Brecht, e 0 Mercador de Veneza, de Shakespeare. Com os três autores (que abordamos pela primeira vez) continuamos a sustentar que a contemporaneidade e a actualidade das obras têm menos a ver com a época em que foram escritas do que com a capacidade de suscitar reflexões essenciais ao entendimento da época em que vivemos. E não se trata sequer de procurar proximidades temáticas (no fundo, há só um tema: o Homem, na sua relação com a vida e a morte). Trata-se de articular diferentes poéticas que convergem num ponto: o da concepção do teatro como um espaço de reflexão e de intervenção cívica. Na sala Virgílio Martinho propomos três criações: um novo espectáculo para a infância e dois textos de autores portugueses contemporâneos: Carlos Alberto Machado e Paulo Mendes. 0 primeiro foi um dos actores do Grupo de Campolide e trabalhou muitos anos na Companhia. 0 segundo faz, desde há sete anos, parte da nossa equipa.
Os espectáculos que apresentamos em reposição incluem clássicos universais como Tchecov, Beckett e o português Almeida Garrett, além de autores contemporâneos com textos estreados pela Companhia: António Borges Coelho, Teresa Rita Lopes e Carlos Porto, com a adaptação de 0 Carteiro de Neruda de António Skármeta. 0 regresso destes espectáculos ao Teatro Municipal, depois de anos de digressão de vários deles, constitui uma oportunidade para os que gostarão de vê-los outra vez, e para um novo público. Na programação foi, como sempre, tido em conta o interesse dos públicos escolares. A reposição dos textos de Garrett e de Borges Coelho e a criação de A Paz, de Aristófanes, visam, especialmente, este sector da audiência. Num momento em que se insiste na velha discussão sobre a vantagem ou desvantagem da existência de companhias, a programação que apresentamos para 2003 quer, também, dar um contributo à polémica: é que esta programação só é possível porque existe uma companhia, com trabalho regulare uma estrutura estável.
Uma última nota: as dificuldades orçamentais mantêm-se e, provavelmente, agravar-se-ão neste ano que agora se inicia. Esperamos que o público e os Amigos da companhia apreciem o esforço que fazemos para enfrentar essas dificuldades com novas ideias e respostas adequadas.
Regressa ao Teatro Municipal de Almada
De 12 a 23 de Novembro
A partir de 12 de Novembro, no Teatro Municipal de Almada, a Companhia de Teatro de Almada, apresentará um dos seus grandes êxitos, O Carteiro de Neruda, de Antonio Skármeta com adaptação de Carlos Porto, cenário de José Manuel Castanheira, figurinos de Sónia Benite e encenação de Joaquim Benite. Este espectáculo conta com interpretações de André Gomes (Pablo Neruda), Nuno Simões (o carteiro) e São José Correia (Beatriz) nos principais papeis. Do resto do elenco fazem parte os actores Celestino Silva, Francisco Costa, Maria Frade, Miguel Martins e Teresa Gafeira.
O Carteiro de Neruda vai estar em cena no Teatro Municipal de Almada de quarta a sábado às 21h30 e domingos às 16h, de 12 a 23 de Novembro. Bilhete normal 12,5€, 50% de desconto para maiores de 65 anos, pensionistas e jovens até 25 anos, 5€ para grupos mais de 10 pessoas.

O espectáculo que esteve em cena cinco meses no Teatro Municipal de Almada obteve um enorme êxito de público e de crítica, tendo já sido representado em várias cidades do país e também no Festival de Teatro de Badajoz. O Carteiro de Neruda apresenta-nos a história de Pablo Neruda e Mário, um jovem carteiro que descobre o poder da metáfora através do contacto com a poesia de Neruda e da amizade com o poeta. Um espectáculo onde a simplicidade da poesia reflecte a vivência quotidiana dos habitantes de uma ilha, uma ilha que poderia ser qualquer lugar onde a poesia e a metáfora se encontram, criando um espaço onde o complexo e a rotina são superados pela amizade e pela simplicidade.
O fenómeno do sucesso que constitui o filme O Carteiro de Pablo Neruda, que esteve cerca de dois anos em cartaz no Cinema Mundial em Lisboa, de certo que não é alheio a um regresso às coisas simples da vida, a um desejo de superação do ritmo quotidiano que nos envolve. O que o texto de Skármeta nos transmite é precisamente esse retorno à amizade, à poesia descoberta pelo contacto humano, ao calor de uma vida sem stress povoada por palavras e histórias de amor.
O espectáculo apresentado pela Companhia de Teatro de Almada parte do livro de Skármeta, numa adaptação de Carlos Porto, constituindo por isso uma história um pouco diferente do filme. O Carteiro de Neruda é também um palco de reflexão sobre os ideais e utopias de um país, sobre a solidariedade dos homens.
Antonio Skármeta
Romancista, dramaturgo e cineasta chileno, viveu exilado em Berlim Ocidental durante treze anos, onde foi professor de teatro e cinema e participou numa dezena de filmes como argumentista e como realizador.
Esta sua obra, celebrizada em todo o mundo através do filme O Carteiro de Pablo Neruda (Il Postino) dirigido por Michael Radford, teve uma primeira versão cinematográfica dirigida pelo próprio Skármeta, sob o título Ardiente Paciência, parcialmente rodada em Portugal, e que foi galardoada em vários festivais, como Huelva, Biarritz e Bordéus. Outras obras literárias de Skármeta publicadas em Portugal são os romances Não Foi Nada e A Boda do Poeta.

Mais informações aqui.